Encruzilhada

O abrir de olhos revela-te aquilo que
Desejavas não ser verdade, ou Verdade:
Começaram a arrancar-lhe o coração do
Peito. Talvez não o coração, mas sim qualquer
Que seja o nervo ou terminação nervosa que
Seja o responsável pelo senso e pela simples
Alegria; agora tu és acerca de um escravo
Com um senhorio que sequer percebe sua
Existência, ou lhe dá o tal valor.

Sem mais prosa em quebras de linha, honestamente
E, claro, honestando, abre teus olhos e encontra
Aqueles castanhos meio esbugalhados,
Meio ansiosos - ou talvez seja somente alguma forma
De disfarce ou atuação - e incertos, aquele sorriso
Meio de canto que te parece tímido, as mãos junto
Às pernas e é aí que tu procuras os verdes. Os
Verdes são indecifráveis - não dá para saber se gostam
Do que vêem - pelo menos do jeito esperado - ou sequer
Se têm qualquer opinião formada. Sabes que não desgostam
Por completo, já que não desdenham. Não são falsos,
Porém difíceis, tens certeza de que são certos e que algum
Julgamento têm, mesmo que seja raso. Claro que junto aos
Verdes vêm os sorrisos e talvez qualquer expressão corporal
Que te dê algum indício de que sim, aprecias de fato, com
Alguma intensidade, mas é o ilegível que vale, por fim.

O ilegível te faz recorrer aos castanhos e duvidar, por
Alguns segundos, da legitimidade do direcionamento dos
Impulsos nervosos para com ele mesmo, mas quando tu
O perdes de vista te bate aquela certeza de que sim, são
Os certos e indefiníveis que te causam melhor impressão
(Se é que arrancar-te o ar aos poucos pode ser chamado
Disso).