Ama-me loucamente
Não me atrevo a ler-te, não quero
Me decepcionar (de novo). Provavelmente
É aquela coisa de idealizar, aliás, é isso
Com certeza. Prefiro esquecer - ou só
Amar - a tua humanidade e colocar-te
Naquele pedestal que costumava ser meu.
Daqui eu te olho, te cuido, te alimento, e
Tudo o que precisas fazer é me irritar
De vez em quando, discordar do que penso
E dar-me as costas. Eu não me importo com
Isso, de verdade, quando me lembro do
Que passou. Aí dá aquela dorzinha de “quero
De volta”, e eu aproveito, enfio o dedo na
Ferida, faço sangrar e abraço a dor, com um
Sorriso meio desgostoso mas do fundo da
Alma; grito, não, urro; mexo os pés, danço
No escuro, entrego minha energia e amo.
Eu amo.
(Maldita condição humana).